Saulo Camarotti em: a arte de programar games e ganhar o mundo


Saulo nasceu na década de 1980, época da globalização da cultura pop e do icônico videogame Atari, lançado no Brasil em 1983. O interesse por tecnologia corria nas veias do menino que, com sete anos, começou a programar e já tinha seu próprio computador. O fascínio por jogos veio em seguida, aos 12 anos, quando ele fez seu primeiro curso de programação e aos poucos foi descobrindo novidades desse universo.

A partir disso, Saulo não parou mais de criar e, quando chegou à universidade, já sabia o que queria fazer: ciências da computação. “Criei grupos de pesquisa na UnB (Universidade de Brasília), chamei colegas e professores para trabalhar. Foi assim que consegui um laboratório e uma bolsa para pesquisa”, relembra. Como na época o tema ainda era pouco explorado na área acadêmica, Saulo aproveitou o poder da rede mundial de computadores. “Tudo o que eu queria fazer ou aprender eu pesquisava na internet. Quando eu entrei na UnB, em 2004, não tinha muita coisa sobre a área de jogos. Hoje, já existem trabalhos de conclusão de curso, pesquisas, laboratório e disciplina sobre o tema”, explica.

Behold Studios, crise e superação

Depois do aprendizado na incubadora, a saída para o mundo real foi um momento de crise para a empresa. “Nós ficamos sem dinheiro, sem sala e sem a possibilidade de receber recursos a curto prazo. Em 2011, meu sócio saiu. Como eu queria continuar com o negócio e alguns funcionários também, eles se tornaram sócios e continuaram a trabalhar, mesmo sem receber nada.” Foi assim que passaram a desenvolver games com temas e formatos que tinham afinidade. “Entendemos que o retorno financeiro seria consequência dessa nova visão. E, com esse novo pensamento, o capital veio”, diverte-se ao relembrar.

A persistência deu resultado. Hoje, aos 27 anos, Saulo é Diretor Executivo da Behold Studios, produtora independente de games, e entende que sua luta é diária: “O ano de 2013 foi o primeiro ano inteiro que a empresa se pagou. Até há bem pouco tempo, esse era o meu objetivo dentro da empresa. Agora é manter as coisas fluindo. Existe um grande desafio de crescer sem perder o nosso objetivo e a nossa visão”.

O primeiro prêmio

Em 2008, já no fim do curso, Saulo ganhou dois concursos nacionais: “No Campus Party, fiquei em primeiro lugar no desenvolvimento de um jogo em uma tecnologia específica. E no SBGames, que é um simpósio brasileiro de jogos digitais, fui o primeiro lugar com um jogo online que fiz com alguns amigos”, conta. Com esses dois prêmios, o grupo percebeu que o interesse pessoal pelo tema poderia ser levado mais a sério: “Nós procuramos o CDT (Centro ao Desenvolvimento Tecnológico) da UnB. Fizemos um curso de negócios, um plano de negócios e eles aceitaram nossa ideia. Em 2009, começamos nossa empresa”.

Game independente

A Behold Studios usa uma linguagem visual que lembra bastante os anos 80, década de nascimento de Saulo. “Nós temos uma distinção que é simples de entender: existe o cinema de Hollywood e o cinema independente. Nós fazemos o game independente: dá para perceber pelo desenho que nós temos”, compara. “A gente joga muitos jogos independentes. E, de vez em quando, surge uma ideia ou um conceito que se transforma em mecânica de jogo. Normalmente, o primeiro protótipo é no papel. Quando todo mundo começa a entender, nós começamos a programar e desenhar”.

Segundo Saulo, a escolha por essa linguagem é o diferencial dos produtos da Behold: “Se nós estivéssemos trabalhando com jogos 3A (AAA), que é o de Hollywood, nós teríamos preocupação em relação a nicho de mercado, se já está saturado, ou se o que pensamos já está sendo feito. O desenvolvedor independente é um pouco mais livre, mais artístico. Nossos jogos são cheios de humor, com referência aos anos de 1980 e 1990. Nós nos vemos e reproduzimos o que gostamos dentro dos jogos”.

O Knights of Pen & Paper


Mercado internacional

O primeiro contato com o mercado internacional foi em 2009, quando Saulo ganhou um concurso do Ministério da Cultura que o acabou levando para a maior feira de desenvolvedores de games do planeta, a GDC em San Francisco. “Foi aí que pude entender o ambiente de uma feira do setor, aumentar meu networking, e conhecer as novas tecnologias do futuro. Desde então, eu resolvi participar dos eventos internacionais, que frequento duas ou três vezes por ano. Nos eventos do setor, nós temos reuniões, fazemos negócios e conhecemos novas pessoas. É fundamental para quem queira trabalhar com jogos que visite eventos como SBGames, GDC, IndieCade, etc.”, ressalta.

Os desafios dos primeiros cinco anos de empresa já viraram história para contar. Agora Saulo pensa em estabilidade, em manter as coisas fluindo e em alcançar o desafio "de fazer crescer a família Behold, com o mesmo objetivo e visão da empresa, de criar jogos com o coração". Para os jovens que almejam desenvolver games, Saulo deixa um conselho: “Façam jogos. A prática nos torna mais capazes. Dizem sempre que os dez primeiros jogos de qualquer desenvolvedor serão ruins. Coincidência ou não, Knights of Pen & Paper foi nosso 11º”.

Texto originalmente publicado em 11 de agosto de 2014

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