#BeInnovative: de toques de celular a robôs de atendimento

Perceber a necessidade do cliente e as rápidas mudanças do mercado para desenvolver as melhores tecnologias de atendimento automatizado são alguns dos grandes atributos da Take. A empresa, criada em Belo Horizonte em 1999, atua há 18 anos com soluções de comunicação. Já foi recordista de venda de toques de celular (ringtones) e hoje trabalha com robôs de atendimento integrados a redes sociais e aplicativos como Twitter, Facebook, Skype e outros.

Essa busca pela inovação tem como foco a conquista de espaço no mercado, mas também ajuda a promover um Brasil competitivo, criativo e sustentável no mundo dos negócios – o mote da campanha Be Brasil.

“O nosso principal diferencial é a visão de negócios. Conseguimos entender a dor do mercado e das empesas e aplicar a tecnologia na solução dessa dor. O nosso modelo de negócios não é vender a tecnologia, mas vender a solução para um problema. A tecnologia entra dando suporte a isso”, explica Sérgio Passos, CTO e co-fundador da Take, que faz parte das ações do Programa de Internacionalização da Apex-Brasil.

Sérgio deu uma entrevista para o Blog da Apex-Brasil durante o Corporate Venture In Brasil 2017, evento realizado nos dias 3 e 4 de outubro em São Paulo e que reuniu empresários, investidores, potenciais investidores, startups e profissionais brasileiros e estrangeiros que atuam com inovação e empreendedorismo corporativo.

Com grandes clientes no Brasil como Itaú, Bradesco, Sul-América, Santander e Casas Bahia, a Take esteve no Corporate Venture em busca de investimentos para acelerar ainda mais seu plano de negócios e marcar presença no mercado norte-americano.

Confira a entrevista!

Como surgiu a Take? A Take foi fundada como Take Net em Belo Horizonte, em 1999. A gente criou a empresa porque na mesma época o mercado de telefonia celular estava sendo privatizado e estava sendo lançada a internet móvel no Brasil. Conhecíamos muito bem a internet fixa e imaginávamos que a internet por celular seria alguma cosia muito parecida. Só que isso não aconteceu na velocidade que imaginávamos. Então, de 1999 a 2001 testamos vários produtos no mercado e nenhum teve tração suficiente. Aí desenvolvemos uma tecnologia para venda de música através de celular, que na época chamávamos de ringtones. Também conhecidos como os toques musicais para celular.

E como foi a receptividade desse serviço? Esse produto teve um grande sucesso. A empresa saiu de 10 para 150 funcionários em um ano. Isso chamou a atenção não só do mercado no Brasil, como na América Latina e em outros países. Foi então que a Faith INC, uma empresa japonesa líder desse segmento na Ásia, fez uma oferta e comprou 100% da Take em 2005.

Nesse meio tempo o seu negócio principal era a venda de ringtones? Tínhamos outros produtos, mas de 80 a 85% da nossa receita vinha da venda de ringtones. Chegamos a vender 240 mil ringtones em um só dia. Éramos o maior pagador de direitos autorais do Brasil, mais até do que as gravadoras e o iTunes na época. Tínhamos contrato com todas as operadoras do Brasil – na época, eram duas operadoras para cada estado. E a gente praticamente dominou o mercado nesses anos.

Quando essa japonesa comprou a Take, o que mudou no negócio? Não mudou de fato muita coisa. Mudou mais a parte de gestão financeira. A gente já era auditado aqui no Brasil e passou a ser auditado também pela sede, no Japão. Mas a gestão continuou sendo dos antigos sócios. O que mudou na verdade foi o mercado.

Como foi essa mudança? Em 2006 e 2007, houve a popularização dos smartphones. Foi quando o Steve Jobs lançou o iPhone e veio a ideia de música ilimitada. Então, o mercado de ringtones praticamente acabou. A Faith também tinha comprado outras empresas no mundo – não só aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Então eles resolveram mudar a estratégia e venderam todas as unidades. Foi aí que os antigos sócios fizeram uma proposta de recomprar a Take. E, em 2008 a Take voltou a ser dos antigos fundadores.

São quantos fundadores? Eu sou um dos sete sócios. Destes sete, cinco são fundadores. Nesse meio tempo em que esteve sob controle da Faith, vocês continuaram na empresa? A gente continuou na empresa. Parte dos sócios como conselheiros e parte como executivos. Eu continuei como executivo.

O que mudou depois da recompra? Mudamos o foco de uma empresa que vendia ringtones para uma empresa que trabalhava comunicação por meio de SMS. Lançamos um produto no mercado que era o “Torpedo a cobrar”. Funcionava como um “SMS a cobrar” e foi lançado primeiro no Chile e depois aqui no Brasil. Em 2010, utilizamos a mesma tecnologia para fazer a comunicação das pessoas com as empresas. E aí lançamos um produto de atendimento pra CEMIG, que entrou no ar em 2011. Funcionava assim: em vez de você ligar para reportar um problema, você mandava um SMS dizendo que acabou a luz, que estava no escuro ou sem energia, por exemplo. E o mesmo robô que entendia a demanda na hora de vender uma música entendia qual era o seu problema e acionava os sistemas da CEMIG para poder dar uma solução.

Como foi a evolução dessa tecnologia? Em 2014, com a adoção do What´s App, esse mercado de SMS caiu para praticamente 10% do tamanho que tinha originalmente. Então, percebemos que tínhamos de mudar de novo e focar na comunicação via aplicativo de mensagens com o foco de ajudar as empresas. Foi quando transformamos a nossa tecnologia para que ela funcionasse também dentro do Facebook, do Twitter, do Skype, do Telegram e, em breve, dentro do What´s App – assim que este for liberado para empresas.

Como você define o seu negócio hoje? Seria um CRM por mensagem? A nossa missão é ajudar as empresas a melhorarem a experiência da comunicação com os seus consumidores. Isso a gente fazia pelo SMS e hoje faz pelo chatbot, que são robôs de atendimento automatizado. É o que algumas pessoas chamam de assistente virtual. A grande mudança é que antes esse ajudante só vivia na internet na página web da empresa. E aí, quando você saía desse ambiente, a empresa não tinha como continuar a conversa com você. Quando migramos isso para dentro dos aplicativos, juntamos a mobilidade com a comunicação online o tempo todo. Pelo Facebook, por exemplo, usando o Messenger, você consegue falar com qualquer empresa, sem precisar entrar no site dela. Também não precisa baixar o aplicativo da empresa. Você usa o próprio Facebook para conversar.

E quais seriam seus principais clientes hoje? Temos as Casas Bahia fazendo marketing sobre a marca dela; a Localiza fazendo aluguel de carro; o Rock in Rio, que fez uma campanha de marketing junto ao público que ia participar do evento; a CEMIG e o Santander têm atendimento automatizado; a gestão de acordo de dívidas com o Itaú; venda de seguros de vida com a Champ; abertura de sinistro com a Porto Seguro. Tudo o que hoje a gente consegue fazer com atendimento humano do outro lado estamos automatizando com robôs.

Vocês têm clientes no exterior? Hoje, os clientes que a gente tem no exterior na verdade são empresas globais com operações no Brasil. Como o Santander, a TIM, a VIVO, o Banco Cetelem (francês). O nosso objetivo para o ano que vem é expandir a operação para começar a ter clientes fora do Brasil. Queremos começar a testar o mercado americano.

O que vocês buscam aqui no Corporate Venture? A Take já tem caixa positivo hoje. Temos condições de bancar o investimento necessário. Nosso plano de negócios é de 5 anos, mas queremos acelerar e realizá-lo em dois, com a ajuda de alguma empresa ou fundo que consiga fazer esse investimento.

A que você atribuiu a evolução da empresa? Criatividade, inovação? Como você vê essas questões? Temos um misto de inovação e tecnologia, que já estão no nosso DNA. A gente inova por sobrevivência praticamente. Somos obrigados a inovar porque o mercado muda muito rápido. O nosso ciclo que era de seis anos na telefonia móvel mudou para dois ou três anos depois da união de telefonia móvel com internet. Mas acho que o nosso principal diferencial é a visão de negócios. Conseguimos entender a dor do mercado e das empesas e aplicar a tecnologia na solução dessa dor. O nosso modelo de negócios não é vender a tecnologia, mas vender a solução para um problema. A tecnologia entra dando suporte a isso. Mas a tecnologia muda a cada dois ou três anos. O problema que a gente está resolvendo é um problema de comunicação, de venda, de atendimento, de engajamento.

Como a Apex-Brasil tem te ajudado nesse processo? Procuramos a Apex-Brasil quando tomamos a decisão estratégica de nos internacionalizar. Eu já tinha tido um primeiro contato com a Apex-Brasil há uns dois anos, por conta de algumas missões. Recentemente, no início de 2017, depois que tomamos essa decisão, passamos pela avaliação de prontidão e fomos aprovados para fazer parte do Programa de Internacionalização. Hoje temos um analista da Apex-Brasil que nos acompanha nesse processo. E faz recomendações de consultores que podem nos ajudar e de capacitações que podemos fazer para alcançar esse objetivo. Estamos no meio desse processo e o nosso objetivo é transformar esse projeto em resultado a partir de 2018.

– Saiba mais sobre a Take em http://take.net/

– Conheça mais casos de sucesso de empreendedorismo brasileiro no exterior em www.bebrasil.com.br/pt

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