#BeCreative: sucesso no Brasil, a Cine Group levou conteúdo criativo para o outro lado do mundo

(Foto de Carlos Alberto Jr.)

O ambiente era de muita conversa, apresentações e negociações. Foi nesse cenário que a Cine Group participou pela primeira vez de um festival de cinema em Cannes na França. Executivos de 32 produtoras brasileiras do programa Brazilian TV Producers (BTVP) disputavam a atenção de profissionais de mais de 100 países. Era a terceira vez que o Brasil participava do Mipcom, o maior evento do mundo do setor audiovisual.

Sete anos depois, a Cine Group transformou-se na maior produtora de conteúdo audiovisual do Brasil e do continente africano. Foi nessa ocasião que a diretora executiva, Mônica Monteiro, fez contato com representantes de uma rede de televisão de Moçambique. Tempos depois, a boa notícia chegou: a Cine Group tinha sido escolhida para capacitar a equipe da TV Soico, um projeto que incluía a produção da primeira telenovela de Moçambique. Um exemplo de criatividade, determinação e competência, atributos comuns a várias empresas brasileiras que abriram espaço no mercado internacional e que hoje são destacadas na campanha #BeBrasil, da Apex-Brasil.

A entrada no mercado africano

O treinamento de formação para técnicos de elenco de dramaturgia resultou na produção da minissérie “N’Txuva Vidas em Jogo”. A produção foi um sucesso – envolveu 25 profissionais da Cine Group e mais de 100 moçambicanos. Nos 16 capítulos, com duração de 15 minutos cada, drama e serviços de utilidade pública colocavam em discussão temas do cotidiano local, como malária e AIDS, que precisavam de reforço para combate efetivo no país.

O resultado do projeto entusiasmou Mônica, e a Cine Group não saiu mais de Moçambique. Ao contrário, a empresária viu ali um mercado com potencial enorme. E tratou de levar a empresa para terras africanas.

Um ano após a gloriosa participação da Mipcom, nascia a filial da Cine Group, firmada em Maputo, capital de Moçambique, um empreendimento com 20 profissionais, dos quais apenas dois eram brasileiros. “Ficamos muito entusiasmados com as inúmeras oportunidades que o país oferecia. Tomamos uma decisão audaciosa na época, mas tínhamos convicção de que poderíamos oferecer um trabalho de qualidade. Hoje, temos um conhecimento singular desse continente tanto para abastecer o mercado do país com produtos bem personalizados, quanto para mostra-los ao mundo por meio de nossas produções”, conta Mônica Monteiro.

Tendências e avanços do mercado

A filial moçambicana abriu as portas para novos projetos na África e, hoje, Angola é o principal mercado comprador das produções da Cine Group, como o documentário “Mama África”, que faz um retrato do continente africano, a partir de depoimentos de personagens (e personalidades) de dez países: África do Sul, Cabo Verde, Gana, Guiné-Bissau, Malaui, Marrocos, Moçambique, Senegal, Suazilândia e Tanzânia.

“Mulheres Africanas” é outra produção de sucesso. O documentário mostra histórias, questionamentos e conquistas de cinco mulheres líderes da África: Graça Machel, Leymah Gbowee, Sara Marasi, Nadine Gordimer e Luisa Diogos.

Em 2011, uma produção da Cine Group ganhou ainda mais destaque. “Tambores”, um documentário retratando som e ritmo de tambores, em diferentes estilos musicais de seis países, foi exibido pela TV Aljazeera English, a maior emissora de televisão jornalística do Catar (transmite nos idiomas árabe e inglês). Desde janeiro de 2012, o documentário já foi visto por telespectadores de 43 países do Oriente Médio e do continente africano.

A parceria de sucesso com a emissora Aljazeera acabou sendo o passaporte para que a Cine Group embarcasse de vez rumo ao Oriente Médio. A empresa registra a coprodução entre Brasil e Líbano intitulada “A Última Estação”, longa metragem que abriu o Festival de Cinema de Brasília em 2012. “Além do mundo árabe, estamos começando a produzir também na China, que já é comprador de nossos produtos, e ainda temos coprodução com a Coreia do Sul”, explica Mônica Monteiro.

Novas ideias e formatos + entusiasmo = projetos criativos

A produtora Cine Group, então batizada de Cinevídeo, foi fundada há 17 anos por Mônica Monteiro, uma pernambucana de Recife formada em pedagogia e economia, com especialização em marketing. Mônica ainda trabalhava no mercado financeiro e dava aulas de reforço escolar, em São Paulo, quando decidiu investir seu conhecimento na produção audiovisual com foco em educação. Assim, em uma época em que pouco se pensava no tema, Mônica já começava a conquistar as emissoras educativas com a produção de peças para telecurso, um sistema de ensino a distância.

Educação, história, diversidade cultural e muita disposição para ir atrás de novas ideias. Séries, documentários, vídeos institucionais e filmes publicitários com temas e formatos variados estão no radar da produtora. E todas as ideias são amplamente discutidas pela equipe de criação da Cine Group. “Somos uma empresa que está sempre à frente das tendências e dos avanços do mercado. Com o setor aquecido e em busca de bons produtos, temos conseguido levar para a televisão brasileira produções criativas e novos formatos que são muito bem aceitos pelo público”, afirma Mônica Monteiro.

Novo arranjo

Em 2004, houve uma reformulação da empresa, com a entrada de duas sócias – Carolina Guidotti, publicitária, que passou a ser responsável pelo atendimento às agências, e Luciana Pires, bacharel em artes cênicas, que veio para coordenar a criação e produção de programas e projetos nas áreas culturais, educativas e sociais. A reformulação societária deu início também a uma nova fase da empresa, que passou a produzir conteúdo para TV, uma mudança sob medida para acompanhar os novos tempos de um mercado que começava a se abrir para novos formatos. Com a chegada da TV a cabo, a Cine Group passou, também, a diversificar a produção para atender a essas demandas.

Produções premiadas

Do início, em 1997, com os materiais de telecurso e uma certa desconfiança dos profissionais em um mercado que a princípio parecia pouco atraente, passando para as produções premiadas, até hoje, a Cine Group se consagrou como uma das maiores produtoras independentes da televisão brasileira.

Vale lembrar que a Cine Group foi premiada três vezes pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) com produções para a TV brasileira. A primeira ocasião foi em 2011, com “Chegadas e Partidas”, exibido no canal GNT. Em 2013, pela série documental “Presidentes Africanos”, que reúne reportagens e entrevistas exclusivas de presidentes de 13 países africanos exibida pelo Discovery Channel e pela Band. E em 2014, “O Infiltrado” venceu a categoria Televisão – Melhor Programa de Variedades. Um detalhe importante: não existe inscrição para o prêmio. É a própria APCA quem indica as melhores produções anualmente exibidas nas emissoras do país, e são seus associados, entre eles jornalistas, que elegem os vencedores.

A produtora ainda recebeu o Prêmio Monet 2013 e 2014 com as séries “Boas-Vindas” e “Mulheres de Aço”, respectivamente. Porém, a grande indicação veio no fim de 2014, quando a série “O Infiltrado”, produzida pela Cine Group para o History Channel, foi indicada ao prêmio Emmy pela International Academy of Television Art & Sciences. Essa foi a segunda indicação da produtora ao prêmio. Em 2012, a Cine Group já tinha sido nomeada ao Emmy Award com o documentário “Destino e Educação”, produzido para o Canal Futura.

Texto originalmente publicado em 11 de dezembro de 2014

Conheça a campanha Be Brasil em www.bebrasil.com.br/pt

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