#BeCreative: a animação “Mundo Bita” se prepara para conquistar o mundo

Você já foi ao “Mundo Bita”? Não? Então, ou você não é criança ou não é pai. Porque, nesse espectro, é difícil encontrar quem ainda não se entregou às canções e histórias do personagem Bita, criação da empresa pernambucana Mr. Plot, que desde 2011 divide, ao lado da Galinha Pintadinha, a audiência da garotada nas plataformas digitais.

A empresa, que nasceu de uma incubadora do Porto Tecnológico Porto Digital, foi concebida para gerar conteúdo original, distribuído por meio de DVDs, aplicativos e livros digitais para crianças. O carro chefe seria Bita, um gorducho bigodudo inspirado em apresentadores de circo e que leva seus amiguinhos a desvendar o mundo por meio de canções e lições educativas.

A ideia de casar o simpático personagem com músicas feitas especialmente para cada episódio surtiu efeito. Hoje, a empresa ostenta impressionantes 432 mil inscritos em seu canal do YouTube e contabiliza nada menos que 664 milhões de visualizações na plataforma.

E não é só. A animação também marca presença em uma loja virtual, na tela do Discovery Kids, no Netflix e na TV Brasil. Como se não bastasse, a Mr. Plot já está se movimentando para atravessar fronteiras. Não por acaso, se associou ao Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), parceira da Apex-Brasil no projeto setorial Brazilian Content, que desde 2004 promove o conteúdo audiovisual independente no mercado internacional.

Como se vê, não poderíamos deixar de conversar com Felipe Almeida, um dos diretores e criadores da Mr. Plot, empresa que se encaixa perfeitamente nos atributos de criatividade e inovação, cerne da campanha Be Brasil, que mostra um Brasil confiável, estratégico e sustentável no mundo dos negócios.

Nessa entrevista, ele fala sobre a experiência da empresa, a importância da qualidade de um produto e os caminhos que pretende traçar no mercado externo. Confira!

Vocês já disseram em uma entrevista que viver de animação no Brasil não é algo fácil. Quais as principais dificuldades desse segmento da economia criativa? Produzir animação é realmente uma epopeia para quem tem paciência e amor ao que faz. Os custos são bastante altos e o retorno é lento. Em nosso caso, foram precisos seis anos de produção contínua para termos um acervo que começasse a garantir uma estabilidade. Iniciamos a caminhada em 2011 e o breakeven (momento em que os lucros superam os investimentos) ocorreu somente em 2016. O início foi de muito investimento, dúvidas e aprendizados. Decidimos estrategicamente não seguir o caminho de linhas de financiamento públicas do Fundo Setorial. Produzimos o conteúdo com financiamento próprio. E ainda com a carga tributária alta que temos no país é realmente uma aventura.

Em 2010, com a chegada dos tablets no mercado, vocês viram uma oportunidade de criar um produto audiovisual específico para o dispositivo. Deu certo para a o Mundo de Bita. E hoje? Há vida para animações infantis longe dos dispositivos móveis? O início da Mr. Plot foi interessante. Bita, nosso personagem principal, começou a carreira ilustrando livrinhos digitais autorais para iPads. Queríamos fazer literatura infantil, criar para meios digitais como Monteiro Lobato criou para livros de papel. Só que não deu certo. Investimos durante um ano em aplicativos e não conseguimos um retorno mínimo. Então, pegamos aquele personagem que já havia sido aprovado pelas crianças e colocamos em um outro formato. Nesta fase, meados de 2012, pivotamos. Passamos a fazer desenhos animados musicais, aproveitando o talento incrível do sócio Chaps Melo, que compõe e canta as músicas do Mundo Bita. Fazer música autoral, de qualidade, com temáticas atuais e respeitando a inteligência da criançada, foi a nossa obsessão. Então aproveitamos as plataformas digitais para difundir o conteúdo e espalhar as mensagens do Mundo Bita. Quando o conteúdo já estava massificado e distribuído de maneira uniforme em todo o Brasil, pudemos testar novas plataformas fora do mundo digital. Os shows e espetáculos de teatro hoje são importantes para o Mundo Bita. Tratamos os eventos ao vivo com muito critério e atenção. Temos também livrinhos de historinhas e de atividades que fazem sucesso em livrarias e bancas de revistas. Então, sim, há vida longe dos dispositivos móveis. Mas é preciso já ter um público cativo e apaixonado. O que pesa mais no sucesso do Mundo de Bita: os tipos de plataformas para sua exibição ou o conteúdo que vocês produzem? Certamente a relevância do conteúdo. Vivemos uma época em que há um número enorme de canais para a disseminação das mensagens. Em vários, como o YouTube e o Facebook, qualquer pessoa pode divulgar o que produz. Então, o que conta mesmo é o valor de cada conteúdo, a maneira com que o público é tratado, a atenção aos detalhes. Se você produz algo relevante com um alto padrão de qualidade, certamente as chances de ter sucesso aumentam, independente do plano comercial ou quantidade de plataformas. Vocês já trabalham com licenciamento de produtos. Qual o peso desse segmento na empresa hoje e qual a meta para o futuro? Iniciamos um projeto de licenciamento muito consciente e criterioso. Não podemos colocar os personagens em qualquer tipo de produto. Deve haver sinergia com a identidade da marca. Esta postura limita os horizontes, principalmente em meio a uma grave crise econômica. O Mundo Bita já está licenciado para segmentos como de material escolar, higiene oral, brinquedos, editorial e artigos de festas. Mas o negócio do licenciamento representa aproximadamente 10% do faturamento apenas. Esperamos que a representatividade aumente junto com a melhora econômica do país.

O licenciamento de produtos é a meta em um negócio como o seu? Qual a outra forma de faturar com um produto como o Mundo de Bita? Inicialmente achávamos que o licenciamento seria a salvação. Imaginávamos que em 2017 já pudéssemos sustentar a empresa apenas com as licenças. Mas não foi assim que aconteceu. Hoje, temos um faturamento bastante pulverizado em diversos segmentos, como o de eventos ao vivo, a venda de DVDs, as plataformas digitais e também o licenciamento. Esta composição garante a sustentabilidade.

A Galinha Pintadinha, outro sucesso de animação para a crianças, já está atuando no mercado internacional. Como vocês veem a exportação de produtos de economia criativa no Brasil? Deve fazer parte do plano estratégico de toda produtora. Produzir conteúdo global para visão de internacionalização. Temos ótimos estúdios, com um pessoal muito bom, e se começa a construção de uma indústria que se autofomente. Ainda vemos poucos títulos nacionais com audiência cativa nas TVs a cabo e em canais digitais mundo afora. Espero que esse cenário mude.

Quais as estratégias que a Mr Plot vem traçando para chegar ao mercado internacional? Junto com a Sony Music, temos o projeto de internacionalização dos clipes em andamento. Estamos primeiro fazendo as versões em espanhol e esperamos lançar a primeira temporada de músicas em 2018 na América Latina. Queremos dar os passos com planejamento, sem atropelo. Achamos que agora o conteúdo já tem maturidade para ganhar o mundo e vamos começar a construir este caminho. Isso também deve acontecer com a série em dramaturgia. Estamos iniciando o desenvolvimento e pretendemos lançar de 2018 para 2019. O que você diria para o jovem empresário que está iniciando alguma empresa de animação ou de economia criativa neste momento? Foque na qualidade do conteúdo, se cerque de pessoas talentosas e competentes, produza muito e consiga lastro para aguentar os primeiros anos de dificuldades. Com paciência e muito trabalho, chega o momento em que o bom conteúdo ganha espaço e relevância.

– Saiba mais sobre o Mundo de Bita em http://www.mundobita.com.br/

– Conheça mais histórias de sucesso de empreendedorismo brasileiro no exterior em www.bebrasil.com.br/pt

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