Be Brasil: “O contato com a Apex-Brasil me ajudou muito não só nas exportações, mas com o mercado in

A estilista brasileira Fabiana Milazzo se prepara para um importante passo da grife que leva seu nome: no começo de fevereiro de 2017 vai inaugurar uma loja em Los Angeles, a primeira internacional da marca. Mas os passos que a permitiram chegar a esse ponto começaram a ser construídos muito antes, quando ela era estudante de moda em Florença (Itália) e ainda nem sonhava em ter suas criações desfilando nas principais passarelas e vitrines de importantes lojas internacionais.

De volta ao Brasil, Fabiana estruturou sua grife e, de quebra, enriqueceu seu produto com o trabalho de rendeiras e bordadeiras do projeto Mulheres de Renda, criado por ela para retribuir as oportunidades que a vida lhe ofereceu. O Projeto capacita e qualifica mulheres de baixa renda de Uberlândia, sede de sua grife, e também oferece atividades para seus filhos, de forma que as mães possam não apenas aprender um ofício mas garantir o acompanhamento de seus filhos.

A trajetória da estilista é um caso que ilustra processos criativos e inovadores, com determinação e elementos de sustentabilidade. Uma história que representa como poucas todos os pilares da campanha Be Brasil, narrativa que posiciona o Brasil como um parceiro estratégico, confiável e inovador de negócios no comércio exterior.

A estilista recebeu na semana passada a equipe da Apex-Brasil e duas blogueiras, uma brasileira e uma espanhola, para uma gravação e, na ocasião, conversou com a equipe do Blog. Confira a entrevista!

Como foi o início do trabalho de juntar sustentabilidade e criatividade no design de moda?

É curioso, porque foi uma coisa que me surpreendeu: não esperava criar peças tão legais como essas e com esse resultado ótimo. Tudo começou quando fiz um curso de inovação e sustentabilidade pela Apex-Brasil, com consultores da área de engenharia de produção. Buscávamos uma maneira de trazer esses elementos para um produto de luxo. Mas, além de usar matéria-prima sustentável, eu queria mais. Foi quando surgiu a ideia de reaproveitar os retalhos que sobravam para serem novamente inseridos nas peças e, assim eliminar os descartes. De certa forma, já não eliminávamos os descartes como lixo, porque tem algum tempo que eu doava esses retalhos para algumas instituições que reaproveitam em artesanato. Mas quando comecei eu mesma a usar esse “descarte” nas peças, ou rebordando ou recosturando, achei que deu um resultado muito bacana e diferente.

Já exportava antes de ter contato com a Apex-Brasil?

Já, mas foi um processo simultâneo na verdade. Quando comecei a exportar, comecei também a me preparar a partir das oficinas de qualificação do Programa de Extensão Industrial Exportadora (PEIEX), onde fiz muitos cursos e recebi as consultorias de sustentabilidade e inovação. E considero essa preparação fundamental. Não teria conseguido êxito, principalmente na parte de produção (entregar o que eu vendo, da forma correta, com a qualidade necessária e dentro do prazo) se não tivesse implantado várias coisas que aprendi com as consultorias de inovação e sustentabilidade.

Como você chegou até a Apex-Brasil?

Por meio da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), quando comecei a exportar, e pelo PEIEX, que foi a porta para os cursos. Hoje faço parte do Projeto Setorial com a ABIT e tenho pessoas da minha equipe que trabalham na exportação e continuam fazendo treinamentos do PEIEX.

Apesar de já exportar, o que mais impactou para você com os cursos que você fez pelo PEIEX?

Eu brincava com os consultores que me ajudaram dizendo que, na verdade, eles salvaram a minha vida. Como trabalho com um produto extremamente delicado, com muitos detalhes, eu me envolvia muito em todas as partes do processo. Eles me ajudaram a criar formas de tirar um pouco isso de mim tão pessoalmente (senão não conseguiria crescer), sem perder a qualidade, sem perder o meu olhar. Era meio que tentar fazer um produto de luxo, quase uma alta costura, em escala. Esse foi o nosso desafio e sem eles eu não teria conseguido.

Começou exportando para onde?

Oriente Médio, Itália e França. Fiquei muito feliz de o produto ter sido aceito na Europa porque lá estou concorrendo com os melhores designers de moda do mundo. Isso me deixou realizada. Quando estudei moda em Florença, passava na frente da Luisa Via Roma. Essa loja era a referência, que vendia Galiano, Dolce Gabbana e outras grandes marcas. Eu entrava na loja, achava o máximo as roupas, via os acabamentos e ficava babando. No dia em que vi minhas roupas lá, foi muito emocionante. Eu nem tinha essa pretensão, mas quando aconteceu, foi muito bom.

O contato com a Apex-Brasil permitiu ampliar os mercados internacionais?

Sim, diretamente. Mas, além de ter me ajudado com a exportação, me ajudou muito com o mercado interno. Porque eu melhorei. Pude crescer sem perder qualidade, sem comprometer entrega. Me ajudou em todos os sentidos, nos mercados interno e externo.

Essa aposta na inovação, na criatividade e na sustentabilidade foi uma decisão consciente: você definiu que esses seriam diferenciais da sua marca. Como foi a construção desse trabalho?

Tudo aquilo com que a gente se importa de verdade e que a gente quer fazer bem, as coisas se encaminham para você encontrar pessoas e ter a oportunidade de colocar o sonho em prática. O projeto Mulheres de Renda foi uma coisa que sempre quis fazer, algo para ajudar socialmente. Sou muito grata pelo acesso que tive, minha família, as oportunidades que a vida me deu, e sempre me senti no dever de retribuir isso de alguma forma. Quando eu decidi fazer, as pessoas foram aparecendo. Foi assim com a ONG, que apareceu na loja por acaso perguntando sobre bordado e falando que era professora. Já estava entrando na fase de sustentabilidade e tive uma pessoa para me ajudar a formatar isso da melhor forma.

Essa faceta da sustentabilidade tem também um lado social. Como foi o desenvolvimento disso?

Acho fundamental que as pessoas tenham a oportunidade de se sustentar e aprender um ofício que possibilite isso. Eu percebia, e conversando com pessoas da ONG isso ficou mais claro, que nos bairros mais carentes tem muitas mulheres que nunca trabalharam, que não tinham oportunidade de fazer um curso, aprender. São locais pobres, onde as pessoas não têm acesso. Essas mulheres também têm filhos e não podem sair de casa para não deixarem os filhos sozinhos, porque é perigoso. Aí criamos um lugar em que elas pudessem ir para aprender uma profissão, o bordado, e que pudessem levar os filhos. Enquanto elas aprendem, os filhos têm diversas atividades: brincadeiras, aula de música, robótica…

Como funciona o projeto?

O projeto foi desenvolvido por mim, com ajuda das pessoas da ONG e com o consultor de sustentabilidade. Eu financio as atividades e depois que elas se formam, fazem o registro no MEI (microempreendedor individual) e podem buscar bordados comigo ou outras empresas. Elas ganham autonomia e uma profissão.

Você se apropriou de vários conceitos que a Apex-Brasil defende muito: inserir a exportação na estratégia do negócio, buscar inovação e sustentabilidade como forma de ganhar competitividade. O que você prevê para o futuro da sua marca e da parceria social?

A inauguração da nossa loja em Los Angeles, no começo de fevereiro. Quis que fosse lá não apenas pela recuperação do mercado norte-americano, mas também pela proximidade com as estrelas de Hollywood. Isso é uma forma de divulgar o trabalho sem fazer publicidade. É uma forma de ter uma vitrine para o mundo. Já tive várias pessoas famosas usando a marca, como a Chiara Ferrani, uma blogueira italiana relevante, e também artistas. Minhas roupas já saíram na Elle alemã, um espaço superdisputado. Com a abertura da loja, também dei entrevista para uma publicação americana. Foi uma prévia da inauguração da loja.

SAIBA MAIS

Fabiana Milazzo é graduada em Moda pela Academia Italiana de Moda, Arte e Design e especialista em modelagem pelo Instituto Callegari, também na Itália. A marca iniciou suas atividades em 2000, quando a estilista Fabiana Milazzo desenvolveu sua primeira coleção e a apresentou em sua loja própria, em Uberlândia, Minas Gerais. Fabiana mantém a loja em Uberlândia, cidade na qual também está localizada sua fábrica; sua flagship no “coração” dos Jardins, em São Paulo; e em breve abrirá sua primeira loja internacional, em Los Angeles, na charmosa Melrose Place, freqüentada por artistas e fashionistas internacionais. Atualmente, apresenta suas coleções no Minas Trend, em Belo Horizonte, e participa em março de 2017, do SPFW, a quinta mais importante semana de moda do mundo. As roupas de sua grife podem ser encontradas em mais de 90 lojas multimarcas em diversas regiões do país.

Destacando-se também na exportação, a Fabiana já enviou suas peças para as melhores e mais conceituadas multimarcas da Europa e Oriente Médio, além de dois e-commerces europeus, Luisa Via Roma (Itália) e Saxa Store (Irlanda). Fabiana Milazzo busca oferecer sofisticação, feminilidade e originalidade, características marcantes da marca, bem como cuidado com o hand made e materiais diferenciados para produzir suas roupas com efeitos únicos. A marca já criou uma coleção inspirada na natureza, em árvores como o ipê, e alguns vestidos foram feitos com pet, lixo e retalhos inutilizados. Fabiana ganhou o Prêmio de Design Sustentável ECOPET, quando apresentou um vestido com paetês de pet com aplicações de retalhos de rendas e confeccionado com tecido 100% sustentável. Fabiana Milazzo foi escolhida no ano de 2015, como case de sucesso pela FIEMG, no quesito sustentabilidade.

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