A área de energias renováveis é uma das prioridades da Apex-Brasil na captação de investimentos

Recentemente, a Canadian Solar, uma das maiores empresas globais no segmento de energias renováveis, anunciou investimentos de R$ 2,3 bilhões em projetos de fabricação e geração de energia solar fotovoltaica no Brasil.

A chegada da empresa canadense ao mercado brasileiro se dá em momento em que o país figura na lista dos maiores produtores de energia eólica do mundo, detém a vice-liderança em investimentos em energia hidroelétrica e ostenta condições excelentes de exploração da energia solar.

Não por acaso, a Apex-Brasil atua fortemente no setor de energia renovável. A Agência trabalha na atração de investimentos estrangeiros para o setor desde 2012 e está otimista com as perspectivas para o mercado brasileiro.

Para explicar o papel da Agência no processo de renovação da matriz energética brasileira, falamos com a coordenadora de Investimentos Estrangeiros Diretos da Apex-Brasil, Juliana Vasconcelos. Ela nos conta sobre a chegada ao Brasil da Canadian Solar e o que a Apex-Brasil vem fazendo para incrementar os investimentos no setor de energia limpa.

Como a Apex-Brasil atuou para atrair o interesse da Canadian Solar?

Juliana Vasconcelos – Primeiro, é importante ressaltar que há cinco anos começamos a estruturar um trabalho de promoção de investimentos no setor de energias renováveis, a priori em energia eólica. A entrada da Canadian no mercado brasileiro é fruto desse esforço.

O nosso envolvimento se deu com o levantamento de estudos, dados e informações de como seriam as tendências do mercado brasileiro no setor de energia solar. Trabalhamos inicialmente com Flextronics, que hoje é a Flex, parceira da Canadian no Brasil. Nos últimos dois anos, iniciamos um trabalho de esclarecimento sobre incentivos, custos e insumos, mão de obra, comparativos de competitividade entre os estados, enfim, munimos o investidor com o máximo de informações possíveis, até ele se convencer da viabilidade de mercado.

No fim do ano passado, uma série de medidas de governo sinalizou para o início dos leilões e para a regulamentação da geração distribuída. Foi quando a Canadian Solar entrou em contato conosco. Por fim, teve a parceria entre a Canadian e Flex que viabilizou o anúncio do investimento de R$ 2,3 bilhões em projetos de fabricação e geração de energia solar fotovoltaica no Brasil juntamente com a Apex-Brasil.

Qual a participação das outras agências nesse processo?

Juliana Vasconcelos – Fundamental! O papel das agências estaduais é muito importante para a concretização do nosso trabalho. A atuação da Investe São Paulo é um exemplo. Uma vez que a Canadian Solar optou por investir no estado, a agência muniu a empresa de informações municipais, o que levou a empresa a aplicar seus recursos na implantação de uma fábrica de painéis solares em Sorocaba. Então, temos nosso mérito, mas é um trabalho conjunto do governo federal, estadual e municipal para a concretização dos investimentos.

Qual a importância desse investimento para o Brasil?

Juliana Vasconcelos – A fabricação de painéis solares no mercado brasileiro vai impulsionar o estabelecimento de uma cadeia produtiva associada ao segmento de geração de energia solar, habilitando empresas e profissionais no desenvolvimento destas tecnologias. Ela não só vai trazer tecnologia e desenvolver conteúdo local, como vai gerar 400 empregos diretos e 1500 indiretos, sem contar na capacidade de produção anual de 350 MW de painéis solares fotovoltaicos. São números importantes no atual cenário econômico.

O Brasil já está na lista de maiores produtores de energia eólica. Existe algum esforço da Agência para mais investimentos nesta área?

Juliana Vasconcelos – Sim! Claro! A Apex-Brasil, juntamente com a Associação Brasileira de Energia Eólica, com quem temos um acordo de cooperação técnica, fez uma série de encontros com investidores e hoje podemos dizer que temos uma cadeia consolidada no Brasil. Há cinco anos, realizamos uma série de ações e atividades para apoiar os investidores a se instalarem no Brasil. Consideramos o tratamento para esse setor como um caso de sucesso da Agência, porque ele começou aqui na área de investimentos, com o desenvolvimento da cadeia e agora, por já termos uma indústria madura, só falta encerrar esse ciclo com a formatação de um projeto de exportação da Agência.

Como você vê as perspectivas futuras de investimentos no Brasil na área de energia?

Juliana Vasconcelos – Acho que tem boas perspectivas. O comércio de energia no Brasil é muito mais puxado pelo mercado que por incentivos fiscais ou qualquer outra coisa. A energia eólica, por exemplo, não precisa feed-in tariff, ou subsídios. Só com a realização dos leilões já temos a garantia de que o investimento será realizado. A energia solar tende a ser assim também. Isso gera sustentabilidade para o crescimento da energia.

Além disso, por mais que seja um setor conservador, que prima pela segurança energética, temos um marco regulatório que está evoluindo e criando um ambiente para o desenvolvimento de novas fontes de energia, tudo com muita agilidade.

O desafio é a questão tributária e o custo da tecnologia, mas a tendência é que ela fique mais barata. A eólica, por exemplo, já é a segunda mais barata que a hidrelétrica.

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